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OS FANTASMAS DE VÊNUS

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R$24,96

REF: ut2603 Categoria

Sinopse

Vênus já foi tido com um planeta gêmeo da Terra, antes que os progressos na exploração espacial o revelassem como o inferno escaldante que é. “Os Fantasmas de Vênus” trata tanto desses dois “gêmeos” planetários quanto de dois gêmeos humanos que seguiram destinos igualmente distintos.
Trecho:
Era um penhasco desprovido de vegetação, cinzelado pelo vento marítimo e pelas chuvas, cujo formato fazia lembrar uma mão fechada com o dedo indicador apontado para o alto, para o céu. Antigamente, era conhecido como Morro do Pico; até o dia em que alguém, dotado de bom senso, rebatizou-o com o muito apropriado nome de Dedo de Deus. Havia sido formado, como todo o resto da ilha e do arquipélago, por processos vulcânicos muito e muito tempo atrás. Emergira das profundezas, cercado pela fervura do mar e vapores sulfurosos numa época em que homem algum habitava a Terra. Agora, era frio e escarpado, tendo diante de si o oceano esmeralda. E abrigava, além de ninhos de gaivotas, arbustos e corais, as esperanças de um menino.
Quase todas as tardes, já perto do finalzinho, ele ia até lá, escalava e escalava, até alcançar o topo do Dedo a mais de trezentos metros de altura. Ofegante, enchia os pulmões com as rajadas de vento oriundas do mar e, de olhos pregados no horizonte, ficara à espera de um sonho, sonho este que rolava rente às águas, de mansinho, até alcançá-lo com um toque diáfano e, naqueles momentos, perene. Então, cerrando os olhos, pedia em silêncio que seu desejo mais íntimo fosse atendido. Era um chamado, um apelo, uma prece. Afinal de contas, não fora o próprio Criador quem lhe indicara o caminho? O Dedo de Deus apontava para lá, para o destino futuro… para as estrelas. “Siga o caminho”, parecia dizer; e ele implorava: “Como?” Gritava bem alto até; todavia, Ele não respondia, e os únicos sons que o menino escutava eram o uivar do vento no penhasco e o bater das ondas nos recifes. Então, retornava para casa sem querer conversar com o irmão, com ninguém.
Mas um dia, a resposta chegou.
O vento respondeu.
As ondas responderam.
O caminho para as estrelas se abriu.
Saiu correndo de casa pelas trilhas entre os arbustos até alcançar a praia.
Seus olhos acompanharam o indicador de lava fossilizada e viram a primeira estrelinha brilhar no zênite com a chegada do crepúsculo.
Sorriu.
Por dentro, alguém chorava.

Informações Adicionais

Editora

Nº Páginas

190

Tamanho

10,4 x 14,8 cm

Autor(a)

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